Liderança? De novo?

Liderança: eis a palavra que nos ocupa. A bola da vez, a coqueluche do momento, a condição sine qua non para funcionar na vida. E para triunfar. Cursos de liderança, técnicas de comando; liderança pessoal, na equipe, corporativa. Um variado cardápio que nos é oferecido nas vitrines dos shoppings da liderança, em elegantes montagens –impressas e eletrônicas- onde o líder-ator nos olha de perfil, e nos convida a ser um triunfador. Na sua mão brilham as variadas opções de cursos para, sem grandes esforços, transformar-se num líder moderno. Lá estão as técnicas, as discussões, aulas e seminários – em inglês, naturalmente – incrementados com apetitosas apresentações em Power Point, e as recomendações bibliográficas dos gurus de hoje –também em inglês- pessoas que souberam ver o que ninguém viu antes deles existirem. O que seria de nós sem os gurus? Como é que conseguimos sobreviver até agora? Como é possível que hajam existido heróis, santos, figuras relevantes que chegaram lá sem fazer um curso de liderança? A pergunta fica sem resposta porque já deu o horário e o nosso manequim afrouxa a gravata, prepara-se para o happy hour, e além do mais, essas questões complicadas não constam no seu conteúdo programático.
Liderança é conceito que sofre desgaste de lugar comum. O mundo da gestão corporativa adotou o termo com perspectivas de fazer bons negócios com ele. O mundo político também o encampou, abrindo possibilidades nunca sonhadas para demagogias populistas inconsistentes. O suposto líder perde assim sua função de construtor de pessoas e catalisador de sonhos (sonhos dos outros, se entende) para transformar-se no gestor de resultados. Persegue objetivos no macro, passa por cima das pessoas, despreza os detalhes. E se converte em alguém que, mesmo reconhecido, até admirado, não é querido por ninguém. Não que isto venha lhe tirar o sono, pois sempre é possível convencer-se de que sendo líder, é normal ser um solitário incompreendido. Afinal, liderança –pensam eles com seus botões- não é coisa para qualquer um.
Pode parecer estranho, dado o título deste livro, e a proposta que nele se encerra. Mas devo confessar que, em geral, estremeço quando ouço falar de liderança, de missão, de visão e, e de coaching. A intenção é boa, mas a versão que se utiliza é descompromissada: atenta à conduta externa, preferentemente no âmbito profissional, sem atrever-se a penetrar nas raízes da pessoa que é onde realmente mora o perigo. Assim, temos um coaching de horário comercial, asséptico, que jamais se atreveria a invadir a privacidade –os defeitos de carácter que são patentes- do seu cliente. É uma preceptoria com anestesia que raramente atinge o miolo do problema.
A liderança meia-boca que convive confortavelmente com a mediocridade, tem o seu marketing, o seu appeal. Sabe disfarçar-se com a maquiagem confortável do super-executivo moderno que se prepara para ser um triunfador. Tudo está previsto, no seu plano de carreira que possui, para ninguém duvidar, um coaching apropriado. A estratégia da vitória está traçada. Somente faltam…. os sonhos, e a capacidade de sofrer por eles. Produzem-se por atacado o que denominam líderes. Isso me faz lembrar e muito, a política de alguns bancos, onde os empregados, quase todos, são “vice-presidentes”, mesmo que trabalhem na boca do caixa. Basta colocar a palavra chave no cartão de visita para que o ego fique satisfeito, e a mediocridade seja homologada. São lideres sem sonhos, ou pior, com medo de sonhar, porque vai ver que não conseguem realizar seus próprios sonhos.
Para começar a melhorar esta situação é preciso que o indivíduo faça uma profunda reflexão e encontre segurança e motivação para empreender mudanças no sentido de se desenvolver humana e profissionalmente e sair em busca de sua excelência humana composta pela excelência pessoal e profissional.
Um começo pode ser a participação neste treinamento produzido e direcionado para formadores de opinião e líderes que estejam dispostos a iniciar este processo de transformação e partir para voos mais altos no que se refere a conhecimento e humanismo aplicados na liderança.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *